Até pouco tempo, havia um consenso popular de que todo brasileiro era um potencial técnico de futebol (frustrado ou não, depois do 7 a 1). Como pentacampeões do mundo, experts no esporte bretão, qualquer um de nós saberia usar uma tática certa para cada partida e escalar uma boa e vitoriosa equipe.

Agora, parece que mudamos de profissão. Não somos mais o país dos técnicos, mas sim o país dos economistas: uma verdadeira distopia dos tempos presentes. Prova disso é que nos últimos dias, com a greve dos caminhoneiros, o que mais se viu nas redes sociais foram comentários dos “novos especialistas”. Cito alguns que li: a culpa foi da Petrobras e da sua política de preços; a culpa foi dos caminhoneiros; a culpa foi de ambos; a culpa não foi de ninguém, e sim do preço do petróleo no mercado internacional; a culpa não foi do petróleo e sim da taxa de câmbio; a culpa é do desemprego elevado, que fez com que muitos comprassem caminhões e trabalhassem com carga; a culpa é do frete muito caro; a culpa é das estradas esburacadas; a culpa é de JK, que, ao invés de fazer ferrovias, incentivou a indústria automobilística e a construção de estradas; a culpa é do Trump, que promove uma política que fez o preço do petróleo subir. E por aí vai.

A Economia é uma ciência social. Não podemos compará-la às ciências exatas, como muitos pretendem fazer (incluindo muitos economistas). Não podemos acreditar que as soluções para questões absolutamente complexas sejam simplórias. Um dos graves problemas da modernidade é acreditarmos que há respostas fáceis para quaisquer tipos de imbróglios, basta encontrá-las no Google ou nas redes sociais. Inocência dos que assim pensam!

Como professor, procuro mostrar aos meus alunos que a matemática e a estatística são ótimas ferramentas, aliadas de primeira hora para tentarmos dimensionar e projetar os fenômenos econômicos e financeiros. Todavia, no quesito Finanças, não há nos livros de valuation uma fórmula mágica capaz de captar, por exemplo, o que ocorreu com as ações da Petrobras nos últimos dias.

Como sempre alerto aos meus alunos, a despeito de números e modelos poderem ajudar, o chato é que os diagnósticos são feitos por seres humanos, e esses estão sujeitos a falhas e erros de avaliação. Mas, como a matemática é perfeita, muitos acreditam que sem os modelos não podemos ir adiante.

Se o leitor pegar livros de Economia, observará que neles estarão listadas diversas “leis” (mas não como leis da física ou da química). O drama é que os que nelas acreditam parecem virar os donos da verdade. O pior é que, como agora, todos “sentem-se” economistas, a razão suprema está com cada um de nós.

Sou daqueles que acreditam que Economia deveria ser ensinada no ensino fundamental. Os jovens do nosso país não têm a menor ideia da importância de um orçamento equilibrado e da imperiosa necessidade de se formar poupança. Só para citar, enquanto na China a formação de poupança fica acima de 40% do PIB, por aqui essa relação é menos da metade. Aqui está um dos motivos de crescermos a taxas muito menores do que países semelhantes a nós. Porém, enquanto o MEC não nos obrigar a lecionar matéria tão relevante, não seria melhor deixar os problemas da área com os que estudaram e se graduaram nela?

Para finalizar, recentemente recebi de um ex-aluno um link, com as dez principais “leis” da economia, uma publicação do Instituto Mises[1]. Vale uma lida. Pode-se até não concordar com todas, mas fazem sentido. De repente, para os que querem melhor conhecer, fica uma sugestão de leitura, que pode colaborar na compreensão de ciência tão complexa.