Você é contra ou a favor a Reforma da Previdência? Essa é a pergunta que mais iremos ouvir nos próximos meses.

Sem ideologias e, sendo muito pragmático, sugiro que antes de responder, você acesse o seguinte link no site do IBGE, que mostra a evolução da pirâmide etária da população brasileira entre 1980 e 2050 (projetado). https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2008/piramide/piramide.shtm

Se observarmos com cuidado, há uma preocupante transformação no “desenho”: saímos de uma figura como uma pirâmide tradicional, em 1980, evoluindo para uma de “cabeça para baixo”, se as projeções do IBGE se concretizarem (o que é muito provável). Ademais, na década de 2050, 1/3 de nós, brasileiros, estará com mais de 60 anos de idade. Em outras palavras, estamos envelhecendo rapidamente.

Sendo assim, como nosso sistema de previdência atual é baseado em repartição, teremos um tremendo problema lá na frente, se nada for feito JÁ. Nesse sistema, os que agora trabalham são aqueles que “pagam” os benefícios dos que estão aposentados. Colocando de outra forma, o aposentado não recebe pelo que contribuiu mensalmente ao longo de sua vida laborativa, mas depende daqueles que estão no mercado de trabalho.

Com o que temos hoje, o INSS é absurdamente deficitário. Gastamos, atualmente, quase 15% do PIB com previdência, enquanto, na educação, a relação não chega a 6%. O pior é que esse déficit, ao qual me referi acima, é crescente no tempo, muito por conta do aumento do gasto com a previdência, conforme gráfico abaixo (fonte: http://www.previdência.gov.br)

DESPESA COM PREVIDÊNCIA, em R$ bi

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A reforma que a equipe econômica do governo Bolsonaro enviará ao legislativo no fim de fevereiro pretende, minimamente, mitigar essa dinâmica perversa que nos trouxe até aqui. Dessa forma, o que se especula é que a PEC seja aprovada pelo Congresso Nacional, promovendo uma economia de R$ 1 trilhão na próxima década, o que seria fantástico para a concertação social que urge, além de colaborar para reduzir drasticamente o problema fiscal brasileiro.

Com o rombo caindo, minha expectativa é que o déficit fiscal regredirá aceleradamente, e a inflação ficará por longo tempo comportada. Dessa forma, o BC poderá reduzir ainda mais nossas taxas de juros, o que permitirá, em breve, que voltemos a um ciclo virtuoso, de crescimento econômico e geração de emprego.

Todavia, a despeito de caminharmos para uma melhora na situação, pense individualmente se essa mudança bastará para você, pois as regras estabelecem limites de benefícios a serem recebidos. Assim sendo, o mais adequado é que se PLANEJE o futuro, poupando agora, com o intuito de melhorar sua renda mensal lá na frente, para que você tenha recursos suficientes para sustentar seu padrão de vida corrente.

Como profissional de mercado (e professor de finanças), tenho sugerido fortemente que TODOS (sobretudo os jovens) considerem aumentar sua propensão a poupar, no lugar de gastar de forma inconsequente e impulsiva. Se assim for, a capitalização dos recursos (juros compostos) lhe favorecerá bastante, uma vez que o tempo será um grande aliado nesse processo de acumulação de riqueza.