Virada de ano é hora de avaliar os investimentos e fazer ajustes. A revisão anual é importante para alinhar o perfil da carteira com os objetivos e adequar os produtos às perspectivas do novo cenário, de modo a obter maiores rendimentos e lucros.

Fizemos um trabalho junto aos gestores para entender o que eles estão esperando para o ano novo, que desafios eles estão se preparando para enfrentar e quais oportunidades estão avistando. Essas informações também são valiosas para ajustar as aplicações financeiras.

Há consenso entre os gestores de que a dívida pública e o baixo crescimento são os principais problemas do país. Será preciso implantar mudanças estruturais, principalmente a Reforma da Previdência, para estancar a deterioração do déficit e alcançar a sustentabilidade fiscal. Eles estão otimistas com a agenda liberal e reformista, de privatizações e concessões. Ademais, as reformas microeconômicas, setoriais e medidas de desburocratização devem destravar os negócios e contribuir para maior produtividade. Os números para o crescimento do PIB já estão sendo revisados para cima.

O Brasil está bem posicionado em relação aos emergentes para receber fluxo de estrangeiros. Só precisa fazer o dever de casa conforme manda a cartilha. A inflação segue sob controle, em função da atividade que ainda vai prosseguir em ritmo lento e, por isso, os juros devem permanecer baixos. O balanço de pagamentos se mantém estável.

Há unanimidade em reconhecer que o novo governo terá muitos desafios pela frente. O presidente eleito conta com forte apoio político. No entanto, os embates que serão travados no Congresso e a forma de execução das reformas vão dar o tom do mercado local durante o ano.

No mercado externo, há potenciais obstáculos no radar dos gestores. Primeiramente, o ritmo do aperto monetário nos EUA. Além disso, há a desaceleração nas economias de China, Zona do Euro e Japão, e, ainda, os desdobramentos do conflito comercial entre EUA e China. Itália, França e Reino Unido também estão sendo monitorados.

Os gestores estão animados com as oportunidades em 2019. Entre os ativos brasileiros, a bolsa é onde estão colocando mais fichas, com destaque para as empresas estatais e as dos setores de consumo e varejo, energia elétrica, bancos e serviços financeiros. As empresas saíram fortalecidas da recessão que assolou o país nos últimos anos e, agora, com estruturas mais enxutas e eficientes, estão prontas para deslanchar.

O mercado de crédito privado também tem potencial para oferecer oportunidades, pois deverá ficar aquecido com novas emissões. Em títulos públicos, há espaço para mais fechamento dos juros nominais e reais e alongamento dos prazos. Para alguns, ainda haverá oportunidades na América Latina, especialmente em Argentina, Chile e México.

A volatilidade estará presente no mercado brasileiro, mas há grandes chances que ele se descole do mercado externo em 2019 e produza bons retornos para os investidores que estiverem com as suas carteiras ajustadas para este cenário mais otimista.