Após uma campanha eleitoral polarizada, em que os temas econômicos ficaram um pouco de lado, o novo presidente, Jair Bolsonaro, terá muitos desafios pela frente. Passado o segundo turno, é hora de entender como se dará a leitura mais liberal sugerida pelo guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes.

Isto significa responder às seguintes perguntas, entre outras:

Vamos realmente para as privatizações?
Teremos um Estado mais enxuto, com menos ministérios?
As reformas estruturais serão implementadas? Como? Em que velocidade?
Quem vai compor o Banco Central e a Secretaria do Tesouro Nacional?
Quem serão os ministros?
Nesse cenário, serão cruciais as negociações, nem sempre fáceis, com um Congresso, agora, renovado pelas urnas.

Assim, nos próximos dias, é normal que haja ainda alguns questionamentos e dúvidas entre os investidores, que vão olhar mais de perto, mais detalhadamente, para as propostas e negociações para saber quem serão os presidentes da Câmara e do Senado. Apesar de Bolsonaro ter sido o candidato escolhido pelo mercado financeiro, alguma volatilidade tende a nos acompanhar, até que tudo fique mais definido. Além disso, a conjuntura global também passa por um momento complexo.

Quanto aos investimentos, com a taxa de juros mais baixa no país e uma perspectiva de mudança, há uma oportunidade de assumir um pouco mais de risco nas carteiras.

A carteira sugerida pode ter de 40% a 60% dos recursos em renda fixa (títulos e fundos). E uma parcela maior do que a habitual, de acordo com o perfil de cada investidor, em renda variável (bolsa e fundos de ação). Aqui é importante levar em consideração o horizonte da renda variável, de longo prazo. Para fechar a composição da carteira, fundos multimercado e COEs são excelentes opções, também com uma alocação de acordo com o perfil de cada um.

Por fim, aplicar em câmbio não parece ser uma boa opção, até porque o balanço de pagamentos do país está numa posição confortável. Além disso, se as coisas começarem efetivamente a ficar mais positivas, a tendência é que haja ingresso de capital estrangeiro no país, então não tem por que a taxa de câmbio ficar pressionada.